domingo, 7 de junho de 2009

Gardens Of The Night

Gardens Of The Night
Ano: 2008
Realizador: Damian Harris



Para mim, um filme marca uma vida quando chega ao fim e passamos horas a repensá-lo. Quando as cenas correm em fast-foward nos momentos mortos.
Como tal, começo por dizer que Gardens Of The Night marcou. E acrescento um brilhante já de início.

O tema é amargo e apenas lembrado quando conveniente ou 'quando tem de ser', daí que as críticas sejam várias e de todas as formas e feitios.
Críticas há: "um filme que não acrescenta nada de novo" - não é necessário, respondo eu. Ou, "Gardens Of The Night é, afinal, um filme lamentável, com um olhar tão sórdido quanto ao seu tema", Francisco Pereira - Jornal Expresso - uma crítica que não consigo entender dada a dúvida latente dos conceitos de 'sórdido' e 'lamentável' pelo que, lamentável será não ver esta obra. Não ultrapassar o receio de explorar e aceitar esta ficção de realidade. Não podia discordar mais de ambas as críticas.

Vi esta little masterpiece sem ler qualquer sinopse, sem fazer a mínima ideia do que tratava. Colei os meus olhos no ecrã durante hora e meia sem conseguir proferir uma palavra ou fumar um cigarro.
Como tal, sinopses à parte (até porque odeio sinopses): abuso sexual de menores filmado da forma mais genial, humana e inteligente alguma vez pensada ou concretizada (mesmo após um Misterious Skin inteligente).

Não choca pelas imagens. Não choca pela banalidade. Não choca pela vontade tantas vezes almejada do explícito que mais não faz senão o grotesco.
Do grotesco passar beleza - é arte. E nada mais senão arte no seu máximo expoente faz este Damian Harris que, após cerca de dez anos a estudar vítimas, histórias, em suma, realidade, surge com esta genialidade cinematográfica. Valeu os anos de estudo.

A realidade ultrapassa a ficção. O doce e o amargo misturam-se a cada minuto.

À primeira vista surge, no cast, um nome sonante e que merece toda a minha admiração: John Malkovich. No entanto, contrariamente a expectativas, é Tom Arnold que nos surpreende com uma interpretação sólida, digna de um elogio pela simplicidade e complexidade de emoções com que atinge o espectador mais relutante.

Nomeado para o Golden Berlin Bear e para os Prism Awards. Vencedor do Deanville Film Festival e para o Mons International Festival of Love Films.



Um agridoce indispensável.

1 Comentário:

Freddy disse...

Ainda não vi... Vou sacar!

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